Arquivo da tag: Contratransferência

Transferência e Contratransferência

DSC_8071Em qualquer relação humana ocorre a projeção de uma figura idealizada sobre a outra pessoa.  Nosso Inconsciente possui inúmeros arquétipos que buscam seu caminho para o Consciente e isso sempre se manifesta no momento em que interagimos com os outros.  Quando a projeção ocorre no âmbito da relação terapêutica, e é dirigida do cliente ao terapeuta, recebe o nome de transferência.  Esse fenômeno é importante, porque a terapia depende de uma relação empática e a transferência é parte desse processo.  Um dos arquétipos mais intensos é o da anima/animus, a porção feminina da psique masculina e vice-versa no gênero oposto.  Portanto, quando pensamos em transferência logo nos vem à mente o clichê da cliente apaixonada pelo terapeuta.  Mas é evidente que essa é apenas uma das muitas possibilidades.  Quando se geram afetos (no sentido de afetar, não no sentido corrente de sentimentos românticos) no cliente, este pode se manifestar de inúmeras maneiras – amor, admiração, ódio, revolta, resistência, etc.  Todos nos dão pistas para o conteúdo inconsciente que fará parte do processo terapêutico, além de ser a prova de que se estabeleceu a relação empática.

Mas ao mesmo tempo em que se gera a transferência, gera-se, no sentido oposto , a contratransferência.  Afinal, os terapeutas também são seres humanos, e o processo terapêutico pertence à díade terapeuta-cliente e não exclusivamente a um ou ao outro.  Ou seja, o terapeuta é tão analisado quanto o cliente.  Além disso, como não pode haver relação empática sem afeto, o cliente tem tanto impacto no terapeuta quando o terapeuta no cliente.  Não há como lutar contra ou tentar sublimar a contratransferência.  Ela é parte do processo, e nele deve ser utilizada.  Portanto, cabe ao terapeuta investigar sua própria psique, normalmente com a ajuda de um supervisor, em benefício dele mesmo e de seus clientes.

Além disso, há alguns tipos de contratransferência que podem ser utilizados com proveito imediato no processo.  Um deles é o processo de contratransferência xamânica.  Para o Terapeuta Holístico, ele mesmo um elemento de continuidade da tradição xamânica, é uma oportunidade única.  Consiste esse processo em trazer para si mesmo os desequilíbrios psico-energéticos do cliente.  Sofrer os sofrimentos do outro.  Buscar o equilíbrio de seu próprio corpo físico-emocional-mental e depois guiar o cliente no mesmo caminho.  Essa relação fortemente empática coincide com o método utilizado por Edward Bach para desenvolvimento das essências florais, onde ele trazia o estado de sofrimento dos outros para si mesmo, pesquisava as flores que o corrigiriam, para então tratar seus clientes.

É um processo sofrido e difícil, mas é o caminho dos introvertidos e fortemente empáticos, que sentem intensamente o sofrimento dos outros.  E talvez seja o grande diferencial do Terapeuta Holístico, o xamã que não cria barreiras de proteção e distanciamento, que não trata friamente o outro, que se envolve no problema, que escuta intensamente e busca sempre se colocar nos sapatos do cliente.