Arquivo da tag: Física Quântica

Reflexão Quântica

DSC_1721bDe uns anos para cá escuta-se muito falar “quântico” no âmbito do pensamento alternativo.  Vamos aclarar as coisas.  A Física Quântica não é algo novo.  Data do meio do século passado.  Surgiu como uma maneira de explicar alguns fenômenos termoelétricos, e cresceu como um modelo funcional prático do mundo subatômico.

Mas a teoria quântica apresentou alguns paradoxos difíceis de aceitar logicamente, como a dualidade onda-partícula.  Em poucas palavras, essa dualidade expressa o comportamento das partículas subatômicas, às vezes como onda eletromagnética e às vezes como partícula material.  Outra questão difícil é a da impossibilidade matemática de determinar a posição real de uma partícula em determinado momento.  A Física Quântica foi desenvolvida sobre princípios matemáticos da Teoria de Probabilidades, portanto não se fala em existência, mas em probabilidade de existência.

Há trabalhos de grande qualidade, escritos por físicos teóricos, envolvendo questões como o tempo, a realidade, a relatividade, e outros, usando paralelos com  conceitos da filosofia taoísta, budista e vedântica.  Nesses trabalhos, muitos deles exploraram o “colapso da função de onda de probabilidade” causada pela consciência do operador.  E ao ligar o indivíduo à realidade exterior isso deu origem especulações de toda ordem e a uma indústria do “quântico”, usando essa palavra nos mais variados graus de acurácia – e de ignorância.

Se analisarmos a questão do ponto de vista da psique, isso fica mais fácil de entender.  O universo tem um aspecto objetivo, externo à nossa psique.  E um aspecto subjetivo, interno.  O que faz a clivagem do universo nesses dois aspectos é o Ego, a consciência do Eu.  Ou seja, a existência material, objetiva, depende do observador, e só existe para este.  É o Ego que separa o subjetivo do objetivo.

Importante notar que, embora a existência do mundo objetivo seja senso comum, só temos como provar a existência do mundo subjetivo, o que existe para nós, dentro de nós.  O que há do lado de fora, bem, não faz parte de nós.

A situação é ainda um pouco mais complexa, porque os conteúdos do Inconsciente, tanto pessoal como coletivo, querem, por sua vez, manifestar-se a nível consciente, e são um aspecto potencial da realidade.

Apesar dessa explicação, eu não me incluo entre aqueles que distribuem o adjetivo “quântico” a torto e a direito.  É moda, mas não faz sentido.  Não há uma “Terapia Quântica”, a menos que alguém me explique direito sua relação com a teoria física.

A Terapia Holística precisa se manter em equilíbrio entre o modismo pseudocientífico e o excesso de misticismo.  Esse é o nosso desafio, enquanto continuadores de tradições milenares vistas sob uma ótica contemporânea