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As Essências Florais de Minas

DSC_2585Quando comecei a estudar de Terapia Floral minha formação foi dedicada, como quase todos os terapeutas, aos Florais de Bach.  Percebi depois que esse sistema, limitado às suas 38 essências, era difícil de aplicar a todas as desarmonias psico-energéticas apresentadas por meus clientes.  Nisso não há, claro, nenhuma crítica à obra de Edward Bach.  Ele foi um visionário e pioneiro.  Mas o mundo mudou muito depois de 1930, quando ele desenvolveu seus florais.  E as desarmonias são um produto do descompasso entre os desígnios da alma e vida no mundo.  Comecei a buscar outras opções, que pudessem complementar as flores de Bach.

Descobri a seguir o sistema das Flores da Califórnia, criado por Patricia Kaminski e Richard Katz.  Aí já obtive uma abrangência muito maior e um foco em temas que Bach originalmente não tocou, como as relações com a psicoterapia, principalmente com o trabalho de C. G. Jung, e com a alquimia.  Esse conjunto de essências tem a capacidade de abranger o trabalho de Bach e ir muito além, tratando estados de espírito típicos do nosso século.

Posteriormente comecei a estudar o sistema proposto por Breno Marques da Silva e Ednamara Batista Vasconcelos e Marques, de Itaúna, MG.  Buscando trabalhar no mesmo caminho iniciado por Bach, desenvolveram um sistema também muito amplo,  que tem a vantagem de utilizar flores de Minas Gerais.  Para mim, essa região é o umbigo do Brasil.  É aí que a Mata Atlântica encontra o Cerrado, gerando impressionante variedade botânica.  E percebi que o sistema podia de fato tratar efetivamente os estados da alma típicos da sociedade brasileira. O trabalho de Breno e Ednamara também se apóia numa visão junguiana da psique e em conceitos alquímicos.

Some-se a isso o fato de que os Florais de Minas, por serem fabricados no Brasil, têm grande disponibilidade, podendo ser conseguidos em dias, em qualquer lugar do país.

Hoje minha prática prioriza o uso dos Florais de Minas, embora sem descartar os dois outros sistemas que domino, ou qualquer opção válida.  O resultado obtido, em pessoas de todas as idades e nível social ou intelectual, como até mesmo em animais domésticos, me dá a certeza de que temos aqui, na terra brasileira, um dos melhores sistemas florais de todo o mundo.

Edward Bach

DSC_2632Todas as escolas de Terapia Floral se baseiam no trabalho pioneiro de um médico inglês, o Dr. Edward Bach.  Nascido em 1886, perto de Birmingham, de uma família próspera para os padrões da localidade, sendo seu pai proprietário de uma fundição de latão, veio cedo a ter contato com as misérias e angústias da classe operária enquanto aprendiz no negócio paterno.  Tendo observado a grande preocupação dos trabalhadores com sua saúde, já que dependiam exclusivamente de sua capacidade de trabalho para o sustento, decidiu por dedicar-se ao estudo da medicina, com o objetivo de ajudar àqueles que a ela não tinham acesso.

Foi diretor do centro de primeiros socorros da Clínica Universitária de Londres, traumatologista no National Temperance Hospital e depois abriu consultório particular em Harley Street.  Buscando conhecer a causa primária das doenças, dedicou-se ao estudo das bactérias, influenciado pelos trabalhos de Pasteur, Koch e Behring.  Como veio a trabalhar como ajudante no departamento de bacteriologia aproveitou para desenvolver um estudo sobre as bactérias intestinais.  Descobriu que determinadas bactérias se achavam com mais freqüência nos doentes de enfermidades crônicas, e começou a preparar vacinas a partir dessas bactérias.  Essas vacinas obtiveram bastante êxito.  Todavia, na epidemia de difteria de maio de 1917 sua esposa veio a falecer.  Abalado, sua saúde, que nunca tinha sido realmente excelente, começou a fraquejar.  Dois meses depois Bach sofreu uma forte hemorragia.  Foi diagnosticado com tumor maligno do baço, operado e recebeu um prognóstico  sombrio – não lhe deram mais de três meses de vida.  Ele não se conformou – sua obra tinha acabado de ser encaminhada, muito ainda havia o que fazer.  Retirou-se ao seu laboratório, buscando empenhar-se ao máximo no período que lhe restava.  Exigiu o máximo de si mesmo – pouco dormia ou comia.  A janela de seu laboratório, permanecendo iluminada noite após noite, foi apelidada “a luz que nunca se apaga”.  Ao contrário de todas as expectativas, o excesso de trabalho e dedicação tiveram um efeito surpreendente – Bach começou a sentir-se progressivamente melhor.  Aqueles que tinham assistido sua cirurgia já o supunham morto – e ele estava recuperado.  Bach tinha em si mesmo presenciado a ação do equilíbrio emocional  como fator preponderante para a recuperação da saúde.

Em 1919 Bach veio a conhecer a obra de Samuel Hanemann, passando a trabalhar como patologista e bacteriologista do London Homeophatic Hospital.  Aprofundou-se nesse estudo, e passou a usar a dinamização homeopática em suas vacinas.  Estabeleceu sete grupos básicos de bactérias e a partir delas desenvolveu seus “nosódios”, que ainda hoje são empregados.  Eram remédios homeopáticos que podiam ser empregados por via oral, libertando Bach do uso de seringas hipodérmicas, um método que considerava indesejável.  Depois dessas descobertas, Edward Bach estava no auge do seu êxito profissional como clínico e pesquisador.  Era um médico respeitado em toda a Europa.

Mas o inquieto Bach não se satisfazia.  Considerava até mesmo seus medicamentos homeopáticos baseados em bactérias intestinais  uma agressão ao corpo.  Começou a procurar plantas com que pudesse, através da dinamização, substituí-los.  Mas os resultados não apareciam.  Necessitava criar um novo método de dinamização, um que conservasse o caráter das plantas.

Não por acaso, as mais importantes descobertas de Bach começaram quando este deixou a bem sucedida carreira como médico homeopata em Londres e começou a viajar pelas regiões campestres de Gales.  Gales é um dos centros das tradições Celtas na Inglaterra.  Se buscarmos conhecer um pouco dessas tradições veremos, não sem surpresa, que muitas delas têm estranha semelhança com os métodos desenvolvidos por Bach.  Seus próprios ancestrais eram certamente Celtas, como indica seu nome de família, vindo de um herói mitológico.  Os Celtas tinham uma profunda ligação com a Terra, com o Sol, com o Orvalho e com as Flores, todos elementos utilizados mais tarde por Bach em seu sistema de preparação dos remédios.  Um dos elementos mágicos citados em suas lendas é o caldeirão fervente com flores e ervas, o Graal, fonte da transformação e da inspiração, do qual se necessita tomar apenas algumas gotas para receber suas dádivas.  Bach viria a utilizar o método da fervura em um caldeirão como uma das duas formas de dinamizar as flores!

E foi numa de suas viagens ao país de Gales que ele colheu ramalhetes de Mimulus e Impatiens.  Dinamizadas em seu laboratório, ainda pelos métodos Homeopáticos, aquelas flores se revelaram como os primeiros sucessos clínicos.  Constatando que estava no caminho certo, partiu de vez para Gales, queimando as pontes atrás de si.  Desfez-se de todas suas vacinas  e destruiu as anotações de suas pesquisas anteriores.

A mudança para Gales ocorreu em maio de 1930.  Em infindáveis caminhadas pelos campos começou a observar que, de manhã cedo, as flores, que acabavam de desabrochar, ficavam cobertas por pequenas gotas de orvalho.  Num rasgo de inspiração percebeu que a água do orvalho, em contato com as pétalas e com a luz do sol, carregava-se com a energia da flor.  Laboriosamente coletou essas gotas e começou a usá-las como remédio.  Mas o método não era prático.  Portanto, ele desenvolveu uma analogia.  Enchendo um recipiente de vidro fino com água cristalina de nascente, cobriu a superfície da água com flores recentemente colhidas, e deixou-as ao sol, em local próximo ao do ponto de colheita.  Como resultado, a água recebia a energia das flores da mesma forma que as gotas de orvalho.  Estava descoberto o primeiro método de dinamização para obtenção dos remédios florais.

Inicialmente, Bach identificou doze flores, com as quais estabeleceu as bases de seu sistema – denominou-as “Os Doze Curadores”.  Mais tarde, o sistema foi ampliado para incluir mais vinte e seis, totalizando trinta e oito remédios.  Algumas floresciam ainda no inverno, quando não havia luz solar suficiente para promover adequada dinamização da água.  Bach então desenvolveu o método da fervura, substituindo a energia do sol pelo calor da combustão.  Como dissemos anteriormente, nesse método foi empregado um caldeirão, no lugar do recipiente de vidro.  À água dinamizada, tanto pelo método solar quanto pelo da fervura, ele adicionava 50% de brandy como conservante.  Dessa tintura-mãe, três gotas eram diluídas em brandy puro, sendo essa solução conhecida como solução-estoque.  De algumas gotas solução-estoque saiam as diluições que eram finalmente destinadas ao paciente.

Dois anos depois de finalizar a descoberta dos trinta e oito remédios, tendo-se dedicado também à sua divulgação e ao treinamento de colaboradores, Edward Bach deu por encerrada sua tarefa.  Algumas semanas depois veio a falecer enquanto dormia.

O legado de Bach à humanidade constitui-se em um sistema de aplicação simples e de riscos quase inexistentes.  Seus remédios não apresentam efeitos colaterais, e mesmo quando indicados erroneamente não causam malefícios maiores do que o de não apresentarem nenhum efeito.  Foram codificados não de acordo com sintomas físicos, mas com estados de espírito.  É que Bach tinha reconhecido, ao longo de seus muitos anos de prática em situações extremas, que os sintomas físicos são apenas um reflexo do desequilíbrio do corpo emocional.  E que uma vez o equilíbrio do corpo emocional tenha sido recomposto, o corpo físico é capaz de eliminar os sintomas.  Em suas próprias palavras:  “Não nos fixemos na enfermidade, pensemos apenas em como o paciente vê a vida”.