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Porque Fazer Terapia Holística

DSC_7889Como muitos que me leem não tem maior familiaridade com a Terapia Holística, penso que é interessante descrever um pouco desse processo e explicar quem deve se consultar com um terapeuta.

Logo de início, é importante dizer que a Terapia Holística não é medicina.  São paradigmas diferentes.  O médico trata doenças.  Nós, terapeutas, tratamos desarmonias energéticas.  São duas maneiras diferentes de ver o ser humano.  O paradigma da medicina é reducionista, vê a pessoa como um conjunto de ógãos e sistemas físicos.  O terapeuta entende o cliente como um todo (holo, em grego), que não separa o físico do emocional, do mental, do espiritual.

A energia que trabalhamos na terapia é reconhecida não só por tradições milenares como a vedântica (da qual deriva a ayurvédica), a taoísta (acupuntura e afins), como também por escolas mais recentes, como a psicoterapia (nos trabalhos de  Jung,  Reich,  Lowen, Grof, Wilber, só para citar alguns) e até mesmo na Terapia Floral desenvolvida por Bach.  Hoje é conhecimento comum.  Quem não se refere a uma pessoa, ou lugar, dizendo que tem “boas vibrações”?  Essas vibrações são a energia sutil.

Assim, sugiro que nossa decisão de tratar-se com um Terapeuta Holístico seja baseada exatamente nisso – nossas próprias “vibrações”.  Se o estado em que você se encontra inclui falta de vitalidade, pessimismo, medo, visão negativa da  vida, e não há razão física para isso, pode ser um bom indicador de que sua energia não se encontra bem.  Se em algum momento, ou por qualquer razão deixamos de ter paz de espírito, e aquela sensação de integridade físico-psíquica indescritível que chamamos “bem-estar”, um trabalho terapêutico pode ajudar.  Se chegamos a um momento na vida em que sentimos um “vazio”, necessitamos nos conhecer melhor, mergulhar na viagem da autodescoberta, e buscar a integridade do nosso ser espiritual, emocional e físico, a Terapia Holística pode ser o caminho.

Se você está em dúvida, procure a resposta dentro de você mesmo.  Por detrás da nuvem com que a correria diária escurece nossa consciência, está aquela voz interior.  Ela sabe o que você precisa.  Confie nela.

Reflexão Quântica

DSC_1721bDe uns anos para cá escuta-se muito falar “quântico” no âmbito do pensamento alternativo.  Vamos aclarar as coisas.  A Física Quântica não é algo novo.  Data do meio do século passado.  Surgiu como uma maneira de explicar alguns fenômenos termoelétricos, e cresceu como um modelo funcional prático do mundo subatômico.

Mas a teoria quântica apresentou alguns paradoxos difíceis de aceitar logicamente, como a dualidade onda-partícula.  Em poucas palavras, essa dualidade expressa o comportamento das partículas subatômicas, às vezes como onda eletromagnética e às vezes como partícula material.  Outra questão difícil é a da impossibilidade matemática de determinar a posição real de uma partícula em determinado momento.  A Física Quântica foi desenvolvida sobre princípios matemáticos da Teoria de Probabilidades, portanto não se fala em existência, mas em probabilidade de existência.

Há trabalhos de grande qualidade, escritos por físicos teóricos, envolvendo questões como o tempo, a realidade, a relatividade, e outros, usando paralelos com  conceitos da filosofia taoísta, budista e vedântica.  Nesses trabalhos, muitos deles exploraram o “colapso da função de onda de probabilidade” causada pela consciência do operador.  E ao ligar o indivíduo à realidade exterior isso deu origem especulações de toda ordem e a uma indústria do “quântico”, usando essa palavra nos mais variados graus de acurácia – e de ignorância.

Se analisarmos a questão do ponto de vista da psique, isso fica mais fácil de entender.  O universo tem um aspecto objetivo, externo à nossa psique.  E um aspecto subjetivo, interno.  O que faz a clivagem do universo nesses dois aspectos é o Ego, a consciência do Eu.  Ou seja, a existência material, objetiva, depende do observador, e só existe para este.  É o Ego que separa o subjetivo do objetivo.

Importante notar que, embora a existência do mundo objetivo seja senso comum, só temos como provar a existência do mundo subjetivo, o que existe para nós, dentro de nós.  O que há do lado de fora, bem, não faz parte de nós.

A situação é ainda um pouco mais complexa, porque os conteúdos do Inconsciente, tanto pessoal como coletivo, querem, por sua vez, manifestar-se a nível consciente, e são um aspecto potencial da realidade.

Apesar dessa explicação, eu não me incluo entre aqueles que distribuem o adjetivo “quântico” a torto e a direito.  É moda, mas não faz sentido.  Não há uma “Terapia Quântica”, a menos que alguém me explique direito sua relação com a teoria física.

A Terapia Holística precisa se manter em equilíbrio entre o modismo pseudocientífico e o excesso de misticismo.  Esse é o nosso desafio, enquanto continuadores de tradições milenares vistas sob uma ótica contemporânea

A Terapia Holística e o Autoconhecimento

Iriel_015A Terapia Holística tem como paradigma tratar o indivíduo como um todo – holo.  E faz ênfase na participação do cliente no processo, já que trata de buscar o auto-equilíbrio.  Portanto, é necessário que o cliente da terapia esteja no assento do piloto.  Que comande o carro de guerra como Árjuna no Guita.  O papel do terapeuta holístico é o de conduzir o próprio cliente à rota correta, mas o comando segue com este.

Isso fica muito claro no processo de Terapia Floral, em que o próprio Edward Bach classificou suas essências de acordo com emoções básicas predominantes no cliente.  E, claro, sem um processo de autoconhecimento não há como reconhecer em si mesmo as emoções, principalmente as que vem da “sombra” de Jung, aquelas emoções feias, negativas, mas que por isso mesmo mais necessitam da terapia.

Quando um cliente chega ao consultório, dificilmente tem clara a decisão de embarcar num processo de autodescoberta.  Por um desvio de formação, normalmente ele busca a solução imediatista para seus problemas.  Cabe ao terapeuta, sem dúvida, atendê-lo nessa necessidade.  Se não fosse assim, Bach não teria desenvolvido essências para tratamento emergencial. Mas a terapia por aí começa, mas não termina.  Porque se assim fosse, bastavam algumas gotas dessas  essências e todos os problemas estariam resolvidos.

Na verdade, toda técnica de Terapia Holística é um processo.  A cada etapa se desenvolve determinado tratamento, que uma vez concluído abre uma porta para um nível mais profundo.  Normalmente o processo inicia por uma etapa mais física, para progressivamente tratar emoções mais sutis, mais ligadas à espiritualidade.  Por exemplo, o cliente pode manifestar um medo típico da vida moderna, como medo de sair à rua.  Uma vez tratado, pode descobrir algo da origem desse problema, normalmente localizado em seu passado.  Que uma vez tratado revela resistências a relacionar-se com outros.  Que uma vez tratadas mostram uma situação de falta de uma visão mais espiritualizada de sua vida.  E o processo segue através de muitas etapas.

Em muitos momentos serão encontradas barreiras difíceis de transpor.  Processos catárticos podem e devem ocorrer.  O papel do terapeuta será o de apoiar essas transições indicando as essências florais adequadas, que permitam ao cliente despojar-se de sentimentos inúteis ou prejudiciais,  e com essa e outras técnicas refazer o auto-equilíbrio energético, para mover-se adiante, no caminho fascinante da autodescoberta.

Edward Bach dizia que os desequilíbrios são causados por uma dissociação entre nossa alma e nosso comportamento.  Longe do conceito de culpa ou de pecado, os desequilíbrios são como um chamado da alma para que nos realinhemos com nosso eu mais profundo, com nossa própria missão terrenal, dos quais muitas vezes nos afastamos, exatamente porque não a conhecemos.  O mergulho no nosso interior que nos proporcionam as flores, de forma tão suave e eficaz, nos permite explorar esse caminho do autoconhecimento e por isso mesmo atuar no auto-equilíbrio e no retorno ao bem estar, àquela sensação de calma e tranquilidade que tínhamos na primeira infância e da qual progressivamente nos afastamos quando começam a se formar as diversas barreiras de proteção que encobrem nosso eu.

Esse processo tem fim?  O processo não, a terapia sim.  Porque chegará o ponto em que o próprio cliente terá que seguir viagem sozinho.  Ele mesmo saberá reconhecer esse momento.  Talvez necessite apoio eventual, em um momento de descobertas mais difíceis ou dolorosas.  Mas já terá autonomia para descobrir respostas para algumas das perguntas mais fundamentais de todo ser humano, o “quem sou”, “donde vim”, “que faço aqui” e talvez até mesmo a última e mais empolgante das perguntas – “para onde vou?