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A Terapia Holística e o Pensamento Mágico

Freyja_goddess_of_Love_and_BeautyA Terapia Holística, por ser baseada em tradições milenares, tem suas raízes em um tempo em que a ciência como a conhecemos hoje, e que não tem mais de 200 anos, não existia.  A ciência vivia dentro da filosofia, e muitos dos primeiros cientistas eram na verdade filósofos.  Mas antes mesmo da filosofia, que se estabeleceu formalmente com a civilização grega, o homem já se dedicava de maneira sistemática à astronomia (que não se separava da astrologia), à arquitetura (que estudava também as formas sagradas) e, nas tradições xamânicas,  ao ato de tratar dos desequilíbrios energéticos dos semelhantes, lançando mão de estudos sistemáticos e também de conhecimentos passados de geração em geração.  O Sagrado, o Mágico, o Filosófico e o Científico não conheciam distinção em civilizações orientais como a Egípcia, Mesopotâmica, Chinesa, Hindu, etc.  As civilizações Inca, Asteca e Maia, cujas culturas se desenvolveram por um período que se estende desde 1500 AC até o século XIV, e que estavam isoladas geograficamente da civilização ocidental europeia, também evoluíram de forma extraordinária vários ramos do conhecimento, mas não conheciam divisões irreconciliáveis entre eles.

Hoje, a própria Ciência, em seus desdobramentos mais próximos à fronteira do conhecimento, como a cosmologia e a física teórica, se aproxima cada vez mais das chamadas “Ciências Humanas”, porque descobriu que a realidade é muito mais complexa do que Descartes e Newton gostariam de supor, exigindo uma abordagem multifacetada e analógica, típica, na verdade, do pensamento mágico.

Tão antigo como a humanidade, o pensamento mágico tem uma visão de sentido oposto a do pensamento científico.  Sendo este baseado na lógica, aquele é baseado na a-nalogia, na não-lógica, por assim dizer.  Falamos de chegar a conclusões baseados em comparações de elementos totalmente desiguais, mas nos quais podemos ver comparações simbólicas e estabelecer inferências.  Apesar dessa distinção,  há uma forte dose de empirismo no  pensamento mágico tanto quanto na Ciência, porque em ambas há uma eliminação natural de hipóteses que não funcionam na prática.  Além disso, pertencem ao ramo do pensamento mágico muitos dos rudimentos de ramos do conhecimento hoje reconhecidos no âmbito da ciência.  Como da alquimia à química, da astrologia à astronomia, e de muitas abordagens mágicas da consciência e inconsciente humano à psicologia analítica de Carl Gustav Jung, que trabalha intensamente a questão do simbolismo, até aos estudos escancaradamente transcendentais de Stanislav Grof e sua Psicologia Transpessoal, que trata da regressão à vida intrauterina, vidas passadas, vidas dos antepassados e integração com espíritos totêmicos.

Na verdade, por não estar preso a estruturas de rígido formalismo, o pensamento mágico nos permite avançar muito à frente do pensamento científico, mais tarde servindo de terreno de cultivo para aquele.  Não fosse assim Jung não teria lançado mão de comparações com a Alquimia, com as Filosofias Orientais, não teria avançado com conceitos tão analógicos como a Sincronicidade, que estabelece relações não causais entre acontecimentos inter-relacionados por símbolos, base de todo pensamento mágico.

A Terapia Holística bebe da fonte do conhecimento das Tradições milenares, seja na Terapia Tradicional Chinesa, na Ayurveda hindu, na Radiestesia desenvolvida pelos hebreus e egípcios, a lista é infindável.  Mais que tudo, não se baseia em padrões de pensamento científico clássico, o qual na verdade tem uma concepção de mundo de um mecanicismo e reducionismo extremamente limitante.

Ao contrário, busca entender o homem como um todo –  corpo, emoções e espírito, que todos nós sentimos, mas que é negado pelo pensamento científico.  Assim, nos permite acessar o corpo energético, muito além daquele físico reconhecido pela ciência. e por isso mesmo chegar a um auto-equilíbrio que é a fonte última do bem-estar.  Permite investigar a alteração dos chakras, dos meridianos de acupuntura, da aura, e tratar nossas emoções e nossa alma.

Claro está que aqui não buscamos negar os avanços científicos e tecnológicos, que até certo ponto contribuíram para aumentar o conforto e o nível de vida da sociedade, mas sim reconhecer suas limitações, que por sua vez nos legaram inúmeras mazelas, sendo a principal delas o materialismo exacerbado.  A felicidade não está apenas no ar condicionado em um dia de calor, ou no transporte independente da tração animal.  O caminho da felicidade está na integração do ser humano em um indivíduo consciente de seu potencial físico, mental e espiritual.  Como Sidharta Budha poderia ter dito, o caminho do meio pressupõe a integração da matéria com a realidade transcendente, e a partir daí com o meio em que se insere, a Humanidade, a Terra, o Universo, sem menosprezar nenhum deles.