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Radiestesia

Agriculture_in_Britain-_Life_on_George_Casely's_Farm,_Devon,_England,_1942_D9817Muitos ouviram falar, mas poucos sabem o que é.  Radiestesia é uma arte muito antiga.  Há indícios arqueológicos de que é pré-histórica.  Certamente era utilizada pelas civilizações hindu, chinesa, árabe, hebraica, greco-romana.  Durante a Inquisição foi perseguida e considerada demoníaca.  Ressurgiu no século XVIII e XIX com estudos metódicos, muitos deles desenvolvidos em mosteiros.  No século XX ampliou seu campo de ação e hoje segue muito bem, obrigado, sendo utilizada em prospecção hidromineral, correção de influências geopatogênicas, apoio a agricultura e na Terapia Holística, só para citar alguns empregos.

O termo vem do latim “radius”, raio, e do grego “aisthesis”, sensibilidade, significando algo como “sensibilidade às radiações”. É que na época, século XIX, as radiações apenas começavam a ser estudadas, e o abade Bouly, que cunhou a expressão, pensava que havia algum tipo de “radiação”, emitida pelo objeto da pesquisa, que se comunicava com o operador.

Hoje entendemos melhor o processo.  Há um “sentido radiestésico” inconsciente, que percebe influências dos campos elétrico, magnético e gravitacional, entre outras.  É o nosso “sexto sentido”.  Os instrumentos radiestésicos, como o pêndulo, por exemplo, são capazes de amplificar pequenos movimentos da nossa mão, que respondem à emergência do Inconsciente.  Com treinamento e prática, essas informações podem se tornar objetivas e quantificadas, permitindo seu uso, por exemplo, em terapia.

Na Terapia Holística, onde trabalhamos com a energia psico-energética do cliente, temos a oportunidade de fazer, com a radiestesia, medições e avaliações que não seriam detectáveis por qualquer instrumento científico.  Por exemplo, podemos fazer uma leitura do estado dos chakras, ou da aura energética.  O verdadeiro instrumento é o próprio Inconsciente do operador, que recebe incessantemente informações do cliente.  Com um pêndulo, ou uma vareta, podemos “ler” esses registros e usá-los conscientemente.

Todavia é importante notar que o aprendizado do processo requer um pouco de teoria e muita prática.  Exige um distanciamento emocional do resultado da pesquisa, que é quase um estado de meditação profunda, uma verdadeira anulação do Ego, para fazer emergir o Inconsciente. O bom radiestesista descobre a verdade; o mau radiestesista descobre o que quer descobrir.

Porque Fazer Terapia Holística

DSC_7889Como muitos que me leem não tem maior familiaridade com a Terapia Holística, penso que é interessante descrever um pouco desse processo e explicar quem deve se consultar com um terapeuta.

Logo de início, é importante dizer que a Terapia Holística não é medicina.  São paradigmas diferentes.  O médico trata doenças.  Nós, terapeutas, tratamos desarmonias energéticas.  São duas maneiras diferentes de ver o ser humano.  O paradigma da medicina é reducionista, vê a pessoa como um conjunto de ógãos e sistemas físicos.  O terapeuta entende o cliente como um todo (holo, em grego), que não separa o físico do emocional, do mental, do espiritual.

A energia que trabalhamos na terapia é reconhecida não só por tradições milenares como a vedântica (da qual deriva a ayurvédica), a taoísta (acupuntura e afins), como também por escolas mais recentes, como a psicoterapia (nos trabalhos de  Jung,  Reich,  Lowen, Grof, Wilber, só para citar alguns) e até mesmo na Terapia Floral desenvolvida por Bach.  Hoje é conhecimento comum.  Quem não se refere a uma pessoa, ou lugar, dizendo que tem “boas vibrações”?  Essas vibrações são a energia sutil.

Assim, sugiro que nossa decisão de tratar-se com um Terapeuta Holístico seja baseada exatamente nisso – nossas próprias “vibrações”.  Se o estado em que você se encontra inclui falta de vitalidade, pessimismo, medo, visão negativa da  vida, e não há razão física para isso, pode ser um bom indicador de que sua energia não se encontra bem.  Se em algum momento, ou por qualquer razão deixamos de ter paz de espírito, e aquela sensação de integridade físico-psíquica indescritível que chamamos “bem-estar”, um trabalho terapêutico pode ajudar.  Se chegamos a um momento na vida em que sentimos um “vazio”, necessitamos nos conhecer melhor, mergulhar na viagem da autodescoberta, e buscar a integridade do nosso ser espiritual, emocional e físico, a Terapia Holística pode ser o caminho.

Se você está em dúvida, procure a resposta dentro de você mesmo.  Por detrás da nuvem com que a correria diária escurece nossa consciência, está aquela voz interior.  Ela sabe o que você precisa.  Confie nela.

Reflexão Quântica

DSC_1721bDe uns anos para cá escuta-se muito falar “quântico” no âmbito do pensamento alternativo.  Vamos aclarar as coisas.  A Física Quântica não é algo novo.  Data do meio do século passado.  Surgiu como uma maneira de explicar alguns fenômenos termoelétricos, e cresceu como um modelo funcional prático do mundo subatômico.

Mas a teoria quântica apresentou alguns paradoxos difíceis de aceitar logicamente, como a dualidade onda-partícula.  Em poucas palavras, essa dualidade expressa o comportamento das partículas subatômicas, às vezes como onda eletromagnética e às vezes como partícula material.  Outra questão difícil é a da impossibilidade matemática de determinar a posição real de uma partícula em determinado momento.  A Física Quântica foi desenvolvida sobre princípios matemáticos da Teoria de Probabilidades, portanto não se fala em existência, mas em probabilidade de existência.

Há trabalhos de grande qualidade, escritos por físicos teóricos, envolvendo questões como o tempo, a realidade, a relatividade, e outros, usando paralelos com  conceitos da filosofia taoísta, budista e vedântica.  Nesses trabalhos, muitos deles exploraram o “colapso da função de onda de probabilidade” causada pela consciência do operador.  E ao ligar o indivíduo à realidade exterior isso deu origem especulações de toda ordem e a uma indústria do “quântico”, usando essa palavra nos mais variados graus de acurácia – e de ignorância.

Se analisarmos a questão do ponto de vista da psique, isso fica mais fácil de entender.  O universo tem um aspecto objetivo, externo à nossa psique.  E um aspecto subjetivo, interno.  O que faz a clivagem do universo nesses dois aspectos é o Ego, a consciência do Eu.  Ou seja, a existência material, objetiva, depende do observador, e só existe para este.  É o Ego que separa o subjetivo do objetivo.

Importante notar que, embora a existência do mundo objetivo seja senso comum, só temos como provar a existência do mundo subjetivo, o que existe para nós, dentro de nós.  O que há do lado de fora, bem, não faz parte de nós.

A situação é ainda um pouco mais complexa, porque os conteúdos do Inconsciente, tanto pessoal como coletivo, querem, por sua vez, manifestar-se a nível consciente, e são um aspecto potencial da realidade.

Apesar dessa explicação, eu não me incluo entre aqueles que distribuem o adjetivo “quântico” a torto e a direito.  É moda, mas não faz sentido.  Não há uma “Terapia Quântica”, a menos que alguém me explique direito sua relação com a teoria física.

A Terapia Holística precisa se manter em equilíbrio entre o modismo pseudocientífico e o excesso de misticismo.  Esse é o nosso desafio, enquanto continuadores de tradições milenares vistas sob uma ótica contemporânea

Edward Bach

DSC_2632Todas as escolas de Terapia Floral se baseiam no trabalho pioneiro de um médico inglês, o Dr. Edward Bach.  Nascido em 1886, perto de Birmingham, de uma família próspera para os padrões da localidade, sendo seu pai proprietário de uma fundição de latão, veio cedo a ter contato com as misérias e angústias da classe operária enquanto aprendiz no negócio paterno.  Tendo observado a grande preocupação dos trabalhadores com sua saúde, já que dependiam exclusivamente de sua capacidade de trabalho para o sustento, decidiu por dedicar-se ao estudo da medicina, com o objetivo de ajudar àqueles que a ela não tinham acesso.

Foi diretor do centro de primeiros socorros da Clínica Universitária de Londres, traumatologista no National Temperance Hospital e depois abriu consultório particular em Harley Street.  Buscando conhecer a causa primária das doenças, dedicou-se ao estudo das bactérias, influenciado pelos trabalhos de Pasteur, Koch e Behring.  Como veio a trabalhar como ajudante no departamento de bacteriologia aproveitou para desenvolver um estudo sobre as bactérias intestinais.  Descobriu que determinadas bactérias se achavam com mais freqüência nos doentes de enfermidades crônicas, e começou a preparar vacinas a partir dessas bactérias.  Essas vacinas obtiveram bastante êxito.  Todavia, na epidemia de difteria de maio de 1917 sua esposa veio a falecer.  Abalado, sua saúde, que nunca tinha sido realmente excelente, começou a fraquejar.  Dois meses depois Bach sofreu uma forte hemorragia.  Foi diagnosticado com tumor maligno do baço, operado e recebeu um prognóstico  sombrio – não lhe deram mais de três meses de vida.  Ele não se conformou – sua obra tinha acabado de ser encaminhada, muito ainda havia o que fazer.  Retirou-se ao seu laboratório, buscando empenhar-se ao máximo no período que lhe restava.  Exigiu o máximo de si mesmo – pouco dormia ou comia.  A janela de seu laboratório, permanecendo iluminada noite após noite, foi apelidada “a luz que nunca se apaga”.  Ao contrário de todas as expectativas, o excesso de trabalho e dedicação tiveram um efeito surpreendente – Bach começou a sentir-se progressivamente melhor.  Aqueles que tinham assistido sua cirurgia já o supunham morto – e ele estava recuperado.  Bach tinha em si mesmo presenciado a ação do equilíbrio emocional  como fator preponderante para a recuperação da saúde.

Em 1919 Bach veio a conhecer a obra de Samuel Hanemann, passando a trabalhar como patologista e bacteriologista do London Homeophatic Hospital.  Aprofundou-se nesse estudo, e passou a usar a dinamização homeopática em suas vacinas.  Estabeleceu sete grupos básicos de bactérias e a partir delas desenvolveu seus “nosódios”, que ainda hoje são empregados.  Eram remédios homeopáticos que podiam ser empregados por via oral, libertando Bach do uso de seringas hipodérmicas, um método que considerava indesejável.  Depois dessas descobertas, Edward Bach estava no auge do seu êxito profissional como clínico e pesquisador.  Era um médico respeitado em toda a Europa.

Mas o inquieto Bach não se satisfazia.  Considerava até mesmo seus medicamentos homeopáticos baseados em bactérias intestinais  uma agressão ao corpo.  Começou a procurar plantas com que pudesse, através da dinamização, substituí-los.  Mas os resultados não apareciam.  Necessitava criar um novo método de dinamização, um que conservasse o caráter das plantas.

Não por acaso, as mais importantes descobertas de Bach começaram quando este deixou a bem sucedida carreira como médico homeopata em Londres e começou a viajar pelas regiões campestres de Gales.  Gales é um dos centros das tradições Celtas na Inglaterra.  Se buscarmos conhecer um pouco dessas tradições veremos, não sem surpresa, que muitas delas têm estranha semelhança com os métodos desenvolvidos por Bach.  Seus próprios ancestrais eram certamente Celtas, como indica seu nome de família, vindo de um herói mitológico.  Os Celtas tinham uma profunda ligação com a Terra, com o Sol, com o Orvalho e com as Flores, todos elementos utilizados mais tarde por Bach em seu sistema de preparação dos remédios.  Um dos elementos mágicos citados em suas lendas é o caldeirão fervente com flores e ervas, o Graal, fonte da transformação e da inspiração, do qual se necessita tomar apenas algumas gotas para receber suas dádivas.  Bach viria a utilizar o método da fervura em um caldeirão como uma das duas formas de dinamizar as flores!

E foi numa de suas viagens ao país de Gales que ele colheu ramalhetes de Mimulus e Impatiens.  Dinamizadas em seu laboratório, ainda pelos métodos Homeopáticos, aquelas flores se revelaram como os primeiros sucessos clínicos.  Constatando que estava no caminho certo, partiu de vez para Gales, queimando as pontes atrás de si.  Desfez-se de todas suas vacinas  e destruiu as anotações de suas pesquisas anteriores.

A mudança para Gales ocorreu em maio de 1930.  Em infindáveis caminhadas pelos campos começou a observar que, de manhã cedo, as flores, que acabavam de desabrochar, ficavam cobertas por pequenas gotas de orvalho.  Num rasgo de inspiração percebeu que a água do orvalho, em contato com as pétalas e com a luz do sol, carregava-se com a energia da flor.  Laboriosamente coletou essas gotas e começou a usá-las como remédio.  Mas o método não era prático.  Portanto, ele desenvolveu uma analogia.  Enchendo um recipiente de vidro fino com água cristalina de nascente, cobriu a superfície da água com flores recentemente colhidas, e deixou-as ao sol, em local próximo ao do ponto de colheita.  Como resultado, a água recebia a energia das flores da mesma forma que as gotas de orvalho.  Estava descoberto o primeiro método de dinamização para obtenção dos remédios florais.

Inicialmente, Bach identificou doze flores, com as quais estabeleceu as bases de seu sistema – denominou-as “Os Doze Curadores”.  Mais tarde, o sistema foi ampliado para incluir mais vinte e seis, totalizando trinta e oito remédios.  Algumas floresciam ainda no inverno, quando não havia luz solar suficiente para promover adequada dinamização da água.  Bach então desenvolveu o método da fervura, substituindo a energia do sol pelo calor da combustão.  Como dissemos anteriormente, nesse método foi empregado um caldeirão, no lugar do recipiente de vidro.  À água dinamizada, tanto pelo método solar quanto pelo da fervura, ele adicionava 50% de brandy como conservante.  Dessa tintura-mãe, três gotas eram diluídas em brandy puro, sendo essa solução conhecida como solução-estoque.  De algumas gotas solução-estoque saiam as diluições que eram finalmente destinadas ao paciente.

Dois anos depois de finalizar a descoberta dos trinta e oito remédios, tendo-se dedicado também à sua divulgação e ao treinamento de colaboradores, Edward Bach deu por encerrada sua tarefa.  Algumas semanas depois veio a falecer enquanto dormia.

O legado de Bach à humanidade constitui-se em um sistema de aplicação simples e de riscos quase inexistentes.  Seus remédios não apresentam efeitos colaterais, e mesmo quando indicados erroneamente não causam malefícios maiores do que o de não apresentarem nenhum efeito.  Foram codificados não de acordo com sintomas físicos, mas com estados de espírito.  É que Bach tinha reconhecido, ao longo de seus muitos anos de prática em situações extremas, que os sintomas físicos são apenas um reflexo do desequilíbrio do corpo emocional.  E que uma vez o equilíbrio do corpo emocional tenha sido recomposto, o corpo físico é capaz de eliminar os sintomas.  Em suas próprias palavras:  “Não nos fixemos na enfermidade, pensemos apenas em como o paciente vê a vida”.

Inconsciente

Iriel_042O que é o consciente?  O que é o inconsciente?  São duas realidades opostas e complementares.  Independem do corpo físico, têm existência imaterial e, enquanto inconsciente coletivo, também não local e não-temporal.  Mas como essas duas realidades se interpenetram e se acoplam, esses mesmos conceitos podem ser estendidos ao consciente, ainda que não se perceba esse fato tão explicitamente.  Na verdade, essa é uma conclusão por inferência.  Assim como no Taiji, o símbolo do Yin-Yang, a consciência interpenetra e tem sua semente no inconsciente, e vice-versa.  Na morte, portanto, o consciente vive como semente dentro do inconsciente até que, com a volta da roda, volte a manifestar-se.  O ciclo só termina com a perfeita integração do Yin e do Yang, consciente e inconsciente, ou a perfeita individuação, outro nome para iluminação.  Nesse estado de Budha, não faz mais sentido separar  o consciente do inconsciente, e essa interpenetração nos leva ao conhecimento pleno e direto do inconsciente coletivo e à integração com a Anima Mundi, a Alma do Mundo.  A meditação, que é um dos portais de acesso ao inconsciente, foi tradicionalmente empregado pelas escolas místicas.  Mas o trabalho alquímico, ativo em contraponto à passividade da meditação, é outro desses portais.  Há vários yogas que podem dar acesso ao estado de Budha, mas é necessário chegar a um estado de distanciamento da matéria, já que esta representa apenas uma parcela da realidade, sendo a outra parcela acessível não com os olhos do consciente, mas através do estado onírico, dos insights criativos, da imaginação delirante, da arrebatação, do estado de ágape.

Numa concepção dicotômica consciente-inconsciente, temos a tendência de contrapor à um consciente domesticado um inconsciente incontrolável, desconhecido e facilmente associável à morte, e por isso mesmo, temido.  À ele é fácil atribuir um caráter demoníaco, aparentemente perverso, ainda mais porque aí residem instintos que, por necessidade social, desterramos do consciente.  Mas não há nada de intrinsicamente mal nesses conteúdos.  Violentos, com vida própria, surpreendentes, certamente desconhecidos, eles representam nossa “sombra”, mas se constituem em uma parte integrante de nosso self, na mesma medida que o  consciente agradável e civilizado.

Como uma analogia arquetípica do inconsciente, é interessante explorar o caráter mitológico do demon, presente em muitíssimas tradições, representando o mesmo arquétipo.  Seja ele Hermes/Mercúrio, na tradição egípcia, e greco-romana, seja Loki, na tradição nórdica, ou Esu, na tradição yorubá, para citar apenas algumas, representa o mesmo trickster, mensageiro entre os deuses e os homens, que se manifesta de maneira sempre enganosa e surpreendente, que expõe as verdades desconfortáveis.  O demon não é imoral, é amoral, ou seja, desconhece as limitações sociais do consciente.  Ele é tipicamente bissexuado, ou seja, assume qualquer sexo conforme a conveniência do momento, mas se expressa de maneira igualmente intensa em ambos, bem como revela-se também sob diversas formas animais, numa expressão do caráter instintivo do inconsciente.  Ou seja, daí inferimos que a forma de comunicar-se com o inconsciente coletivo, a Anima Mundi, ou seja, o conjunto de divindades mitológicas, independente da tradição, passa pela integração do nosso “demon”, nosso mensageiro, que pode assumir diversas aparências.

Uma versão de particular interesse é a manifestação sob a forma do sexo oposto, a anima feminina nos homens e o animus masculino nas mulheres.  Nosso self é andrógino, mas como forma de adequação ao papel social, remetemos ao inconsciente qualquer comportamento do sexo oposto o nível consciente, criando essa dicotomia, essa separação (separatio).  Mas como todo conteúdo inconsciente, ele busca a manifestação.  Ele quer integrar-se (coniuncius) ao consciente.  E, embora não o percebamos, aparece quando menos esperamos, tipicamente sob a forma de projeção.  Ou seja, projetamos nas pessoas de nossa convivência, do sexo oposto, nosso(a) animus/anima.  Buscamos sempre encontrar a mitológica “cara-metade” aquele(a) que nos complementa, por ser a projeção do nosso próprio inconsciente.  Mas essa imagem idealizada, carrega consigo energia psíquica potencialmente incontrolável, já que se trata do inconsciente, que por definição não está sob controle.  Assim que muitos problemas de relacionamento com o parceiro(a) são na verdade problemas de relacionamento com nosso próprio inconsciente.

A Terapia Floral no Processo de “Apoderar-se do Passado”

Iriel_013No emprego da Terapia Holística há que dar ao cliente o controle do processo.  Ele deve estar no leme do barco, assumindo corresponsabilidade pelo processo terapêutico.  Por essa, entre outras razões, o cliente não é paciente, não recebe passivamente a terapia, mas é um agente ativo.

Mas o ser humano, além de corpo, mente e espírito, é também sua história pessoal – seu passado. Psiquicamente, não há distinção entre o passado e o presente, sendo este mera continuação daquele.  Ainda que isso pareça estranho, podemos entender que nossas escolhas no passado influem de forma direta em nosso presente

Portanto, se faz necessário que o cliente tenha poder sobre seu passado, sua história pessoal.  Ou seja, que se apodere dele.  Todos, em menor ou maior grau, já tivemos nossos dramas, nossas desditas, nossas derrotas.  E o passado não se esquece, ainda que não esteja a nível consciente.  Pode parecer que não está lá, mas seguimos reagindo a problemas que muitas vezes não temos, ou que estão fora de proporção, exatamente porque os vemos pela lente de nossas experiências passadas, estejamos ou não conscientes disso.  Claro está que decisões tomadas com base em uma visão distorcida da realidade não podem ser muito acertadas.  Tipicamente vivemos em um círculo vicioso, cometendo os mesmos erros de julgamento e criando mais circunstâncias difíceis, as quais nos esforçamos por esquecer, que por sua vez obscurecem ainda mais nossa visão da realidade.

A Terapia Floral, pela sua própria natureza, é uma escolha natural para apoiar o processo de apoderar-se do passado.  Desde a proposta original de Edward Bach até abordagens mais recentes (e que continuam em desenvolvimento) como a dos Florais de Minas e das Essências Californianas, um aspecto fundamental sempre foi a busca das causas subjacentes às emoções relatadas pelo cliente.  A flor – tipo de um cliente tem direta relação com sua história pessoal.  E, outra vez, tenhamos em mente que o presente é simplesmente uma continuação daquilo que chamamos passado, que não passou, mas continua vivo nos desequilíbrios que cada um nós carrega.

É importante reconhecer que criamos barreiras de proteção para nos afastar das memórias dolorosas.  Como o passado na verdade continua vivo, segue nos incomodando.  Assim, o processo terapêutico passa pela quebra desses muros.  Mas que o processo seja conduzido com gentileza é fundamental.  Por isso a Terapia Floral, pela sua sutileza e delicadeza, ainda que de uma complexidade que muitas vezes escapa aos próprios terapeutas, pode ser de grande ajuda.  Pouco nos serve recomendar essências catárticas, sem dar ao cliente a oportunidade de entender o processo de quebra de barreiras e reconhecimento de seu passado.  Para isso, pode-se aliar essências para amortecer o impacto,  para despertar o desejo de controlar o processo e a própria capacidade de auto-equilíbrio.  Talvez seja até mesmo necessário acompanhar o processo com uma infusão de coragem, ou afastar o medo do desconhecido.  Para esse fim há essências específicas em vários sistemas.

O que se segue é um processo de aprofundamento no Inconsciente apoiado pelas essências florais.  O equilíbrio é progressivamente alcançado quando os conteúdos aí descobertos são assimilados a nível do consciente.  É o processo que C. G. Jung chamou de “individuação”, e que eu resumo como “tornar-se plenamente consciente do Inconsciente”.  Certamente as essências florais despertarão muito material onírico-simbólico para análise, e desse trabalho surge o autoconhecimento.  E com ele, o poder sobre as memórias dolorosas do passado.  Mas será um processo, e como tal o caminho é tão importante quanto a chegada.  Não se pode apressar – cada pessoa tem um tempo  psicológico só dela, e há que respeitar esse ritmo.

A Terapia Holística e o Autoconhecimento

Iriel_015A Terapia Holística tem como paradigma tratar o indivíduo como um todo – holo.  E faz ênfase na participação do cliente no processo, já que trata de buscar o auto-equilíbrio.  Portanto, é necessário que o cliente da terapia esteja no assento do piloto.  Que comande o carro de guerra como Árjuna no Guita.  O papel do terapeuta holístico é o de conduzir o próprio cliente à rota correta, mas o comando segue com este.

Isso fica muito claro no processo de Terapia Floral, em que o próprio Edward Bach classificou suas essências de acordo com emoções básicas predominantes no cliente.  E, claro, sem um processo de autoconhecimento não há como reconhecer em si mesmo as emoções, principalmente as que vem da “sombra” de Jung, aquelas emoções feias, negativas, mas que por isso mesmo mais necessitam da terapia.

Quando um cliente chega ao consultório, dificilmente tem clara a decisão de embarcar num processo de autodescoberta.  Por um desvio de formação, normalmente ele busca a solução imediatista para seus problemas.  Cabe ao terapeuta, sem dúvida, atendê-lo nessa necessidade.  Se não fosse assim, Bach não teria desenvolvido essências para tratamento emergencial. Mas a terapia por aí começa, mas não termina.  Porque se assim fosse, bastavam algumas gotas dessas  essências e todos os problemas estariam resolvidos.

Na verdade, toda técnica de Terapia Holística é um processo.  A cada etapa se desenvolve determinado tratamento, que uma vez concluído abre uma porta para um nível mais profundo.  Normalmente o processo inicia por uma etapa mais física, para progressivamente tratar emoções mais sutis, mais ligadas à espiritualidade.  Por exemplo, o cliente pode manifestar um medo típico da vida moderna, como medo de sair à rua.  Uma vez tratado, pode descobrir algo da origem desse problema, normalmente localizado em seu passado.  Que uma vez tratado revela resistências a relacionar-se com outros.  Que uma vez tratadas mostram uma situação de falta de uma visão mais espiritualizada de sua vida.  E o processo segue através de muitas etapas.

Em muitos momentos serão encontradas barreiras difíceis de transpor.  Processos catárticos podem e devem ocorrer.  O papel do terapeuta será o de apoiar essas transições indicando as essências florais adequadas, que permitam ao cliente despojar-se de sentimentos inúteis ou prejudiciais,  e com essa e outras técnicas refazer o auto-equilíbrio energético, para mover-se adiante, no caminho fascinante da autodescoberta.

Edward Bach dizia que os desequilíbrios são causados por uma dissociação entre nossa alma e nosso comportamento.  Longe do conceito de culpa ou de pecado, os desequilíbrios são como um chamado da alma para que nos realinhemos com nosso eu mais profundo, com nossa própria missão terrenal, dos quais muitas vezes nos afastamos, exatamente porque não a conhecemos.  O mergulho no nosso interior que nos proporcionam as flores, de forma tão suave e eficaz, nos permite explorar esse caminho do autoconhecimento e por isso mesmo atuar no auto-equilíbrio e no retorno ao bem estar, àquela sensação de calma e tranquilidade que tínhamos na primeira infância e da qual progressivamente nos afastamos quando começam a se formar as diversas barreiras de proteção que encobrem nosso eu.

Esse processo tem fim?  O processo não, a terapia sim.  Porque chegará o ponto em que o próprio cliente terá que seguir viagem sozinho.  Ele mesmo saberá reconhecer esse momento.  Talvez necessite apoio eventual, em um momento de descobertas mais difíceis ou dolorosas.  Mas já terá autonomia para descobrir respostas para algumas das perguntas mais fundamentais de todo ser humano, o “quem sou”, “donde vim”, “que faço aqui” e talvez até mesmo a última e mais empolgante das perguntas – “para onde vou?

Terapia Floral Profunda

paraLeituraSegundo C.G. Jung, os sonhos são muitas vezes um chamado da alma quando nos afastamos dos desígnios dela.  Segundo Edward Bach, a doença é um chamado da alma, quando nos afastamos de seus desígnios.  Os sonhos e a doença vão na mesma direção.  Assim, a análise dos sonhos pode identificar o conteúdo inconsciente que necessita ser integrado para a individuação da psique, e o mesmo pode ser feito para corrigir os desequilíbrios físicos, através das essências florais, que tratam as emoções decorrentes dos conteúdos (complexos) reprimidos.  Em suma, há uma perfeita simetria entre a análise dos sonhos e a Terapia Floral. Assim, uma excelente forma de recomendar essências florais é fazê-lo através da análise das emergências do inconsciente e de sua interpretação.  A isso chamamos Terapia Floral Profunda.  Nela, não nos detemos na camada mais superficial dos desequilíbrios energético-psíquicos, mas aprofundamos a investigação, buscando causas subjacentes ao sofrimento experimentado pelo cliente.  Como resultado, a Terapia Floral deixa de ser um simples apoio de crise, e se transforma em uma ferramenta de autoconhecimento e crescimento pessoal.