A Terapia Holística e o Autoconhecimento

Iriel_015A Terapia Holística tem como paradigma tratar o indivíduo como um todo – holo.  E faz ênfase na participação do cliente no processo, já que trata de buscar o auto-equilíbrio.  Portanto, é necessário que o cliente da terapia esteja no assento do piloto.  Que comande o carro de guerra como Árjuna no Guita.  O papel do terapeuta holístico é o de conduzir o próprio cliente à rota correta, mas o comando segue com este.

Isso fica muito claro no processo de Terapia Floral, em que o próprio Edward Bach classificou suas essências de acordo com emoções básicas predominantes no cliente.  E, claro, sem um processo de autoconhecimento não há como reconhecer em si mesmo as emoções, principalmente as que vem da “sombra” de Jung, aquelas emoções feias, negativas, mas que por isso mesmo mais necessitam da terapia.

Quando um cliente chega ao consultório, dificilmente tem clara a decisão de embarcar num processo de autodescoberta.  Por um desvio de formação, normalmente ele busca a solução imediatista para seus problemas.  Cabe ao terapeuta, sem dúvida, atendê-lo nessa necessidade.  Se não fosse assim, Bach não teria desenvolvido essências para tratamento emergencial. Mas a terapia por aí começa, mas não termina.  Porque se assim fosse, bastavam algumas gotas dessas  essências e todos os problemas estariam resolvidos.

Na verdade, toda técnica de Terapia Holística é um processo.  A cada etapa se desenvolve determinado tratamento, que uma vez concluído abre uma porta para um nível mais profundo.  Normalmente o processo inicia por uma etapa mais física, para progressivamente tratar emoções mais sutis, mais ligadas à espiritualidade.  Por exemplo, o cliente pode manifestar um medo típico da vida moderna, como medo de sair à rua.  Uma vez tratado, pode descobrir algo da origem desse problema, normalmente localizado em seu passado.  Que uma vez tratado revela resistências a relacionar-se com outros.  Que uma vez tratadas mostram uma situação de falta de uma visão mais espiritualizada de sua vida.  E o processo segue através de muitas etapas.

Em muitos momentos serão encontradas barreiras difíceis de transpor.  Processos catárticos podem e devem ocorrer.  O papel do terapeuta será o de apoiar essas transições indicando as essências florais adequadas, que permitam ao cliente despojar-se de sentimentos inúteis ou prejudiciais,  e com essa e outras técnicas refazer o auto-equilíbrio energético, para mover-se adiante, no caminho fascinante da autodescoberta.

Edward Bach dizia que os desequilíbrios são causados por uma dissociação entre nossa alma e nosso comportamento.  Longe do conceito de culpa ou de pecado, os desequilíbrios são como um chamado da alma para que nos realinhemos com nosso eu mais profundo, com nossa própria missão terrenal, dos quais muitas vezes nos afastamos, exatamente porque não a conhecemos.  O mergulho no nosso interior que nos proporcionam as flores, de forma tão suave e eficaz, nos permite explorar esse caminho do autoconhecimento e por isso mesmo atuar no auto-equilíbrio e no retorno ao bem estar, àquela sensação de calma e tranquilidade que tínhamos na primeira infância e da qual progressivamente nos afastamos quando começam a se formar as diversas barreiras de proteção que encobrem nosso eu.

Esse processo tem fim?  O processo não, a terapia sim.  Porque chegará o ponto em que o próprio cliente terá que seguir viagem sozinho.  Ele mesmo saberá reconhecer esse momento.  Talvez necessite apoio eventual, em um momento de descobertas mais difíceis ou dolorosas.  Mas já terá autonomia para descobrir respostas para algumas das perguntas mais fundamentais de todo ser humano, o “quem sou”, “donde vim”, “que faço aqui” e talvez até mesmo a última e mais empolgante das perguntas – “para onde vou?